|
|
| Participe do grupo PROFESSORES DE GEOGRAFIA |
| Visitar este grupo |
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Dica: Projeto Araribá
Geoaulas em power point (Ed. Saraiva)
- As paisagens do Brasil;
- As paisagens e o espaço geográfico;
- Capitalismo e formação do espaço mundial;
- Formação territorial e questões ambientais;
- Geopolítica atual;
- Geopolítica e economia mundial;
- Globalização;
- Globalização II;
- Lugar, espaço geográfico e sociedade;
- Regionalização do Brasil;
- Revolução técnico-científica;
- Universo e sistema solar;
- Planeta Terra: características e movimentos;
- A paisagem natural brasileira e a questão ambiental;
- A divisão Norte-Sul;
- Europa: quadro natural;
- Orientação no espaço geográfico;
- Planeta Terra: características e movimentos;
- Regionalização do Brasil;
- Representação do espaço geográfico;
- Revolução técnico-científica;
- Rússia e CEI;
- Sociedade de Consumo e Desenvolvimento Sustentável;
- O Universo e o Sistema Solar;
- Urbanização.
sábado, 26 de fevereiro de 2011
A Geografia é ...

Completem a frase: "A Geografia é ..." da forma mais original e criativa. Vá lá quero ver quem consegue traduzir de forma breve o verdadeiro sentido e utilidade desta ciência.
Vamos participar!
Paisagem
A ação humana altera o ambiente “O homens, ao se estabelecer em uma área para construir sua moradia, realizar suas atividades produtivas e até mesmo de lazer, inevitavelmente altera o ambiente. O homem é parte do sistema, sendo um dos seus componentes, agindo e interagindo com os demais. Contudo, espera-se que as alterações feitas no ambiente sejam realizadas de forma consciente e que busque conhecer mais e melhor as conseqüências da intervenção antrópica (alteração provocada pela ação dos seres humanos.)” In: VITTE, A.C.: GUERRA, A.J.T ( Org.). Reflexões sobre a geografia no Brasil. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004.p.188. |
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Dinâmica Inicio de Ano Letivo - O país imaginário - Normas e Regras para Alunos
Materiais: Folhas de papel; marcadores.
Procedimento: Os professores dividem as os alunos em grupos de 5 e lêem o seguinte texto:
"Imagina que descobriras um novo país, onde ninguém tinha vivido antes, e onde não havia leis nem regras. Tu e os outros membros do teu grupo serão os pioneiros nesta nova terra. Não sabes que tipo de estatuto vais ter lá.”
Individualmente, o aluno escreve uma lista com três direitos que pensa serem essenciais para toda as pessoas que vão habitar este país.
Assim, o professor pede para as pessoas partilharem o que escreveram e concordarem numa lista de 10 direitos que o grupo ache que devam ser garantidos.
Eles deverão dar um nome ao país e escrever numa grande folha de papel juntamente com a sua lista.
Cada grupo apresenta a sua lista aos outros estudantes.
Se houver direitos que surjam repetidos o professor ou educador deverá assinalar com uma cruz.
Depois de todos os grupos terem apresentado, o professor pede para as pessoas encontrarem (se houver) direitos que se contradigam.
Dicas: Questões para discussão:
Será que esta lista pode ser totalmente racionalizada?
Poderão direitos semelhantes estar agrupados em conjunto?
Quão perto da realidade estará esta lista?
No que o grupo se baseou para construir a lista?
Como ocorreu o trabalho nos grupos?
Como avaliam a atividade?
Que lições e aprendizagens podem levar desta vivência?
Observar se os alunos tem boa imaginação e se ocorreu identificação entre os participantes da dinâmica.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Milho que não passa pelo fogo continua a ser milho para sempre
Quem não passa pelo fogo, fica do mesmo jeito a vida inteira.
São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosa.
Só que elas não percebem e acham que seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.
Mas, de repente, vem o fogo.
O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos: a dor.
Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, o pai, a mãe, perder emprego ou ficar pobre.
Pode ser fogo de dentro: pânico, MEDO, ansiedade, depressão ou sofrimento, cujas causas
ignoramos.
Há sempre o recurso do remédio: apagar o fogo!
Sem fogo o sofrimento diminui.
Com isso, a possibilidade da grande transformação também.
Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro cada vez mais quente, pensa que sua hora chegou: vai morrer.
Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar um destino diferente para si.
Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada para ela.
A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz.
Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece: BUM!
E ela aparece como uma outra coisa completamente diferente, algo que ela mesma nunca havia sonhado.
Bom, mas ainda temos o piruá, que é o milho de pipoca que se recusa a estourar.
São como aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar.
Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem.
A presunção e o medo são a dura casca do milho que não estoura.
No entanto, o destino delas é triste, já que ficarão duras a vida inteira.
Não vão se transformar na flor branca, macia e nutritiva.
Não vão dar alegria para ninguém.”
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Em construção:
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Dia do Índio
A modernidade transformou as ondas do ar numa grande comunicação planetária e já não escutamos o silêncio da tua voz.
As nuvens do progresso técnico e científico ofuscaram tua luz e não conseguimos te ver.
eeTua solene veste verde de florestas, campos e pradarias te deixou semi-nu, exposto à exploração pela inteligência do Branco e nos sentimos expulsos, rasgados, divididos e ultrajados. Assim não reconhecemos tua soberana Beleza.
Os modernos meios de produção embaçaram de poluição o espelho dos teus lagos e nós não Te conhecemos. A dança dos rios foi profanada por dejetos e venenos. Silenciaram em represas o canto das Tuas cascatas e, já não ouves nossos lamentos de socorro, tortura e saudade. Enfraqueceu e desafinou o canto e a dança de nossos rituais.
Em nome do progresso ou para saciar a selvageria do homem "civilizado", muitas das espécies raras de nossos irmãos ancestrais, os animais foram sacrificados e dormem fossilizados no Teu Ventre. Os que sobrevivem estão enjaulados, domesticados, comercializados ou expostos à apreciação para cuirosidade pública. Perdemos assim a nossa origem.
O que resta de nossa gente, nossas aldeias, ritos e costumes, serve apenas para evocar ao "civilizado" a Natureza Divina que nos deste, o Origem esquecida, a Sabedoria perdida. Ajuda-nos a reatar o fio arrebentado na trama da vida que nos levam a Ti.
Como uma árvore arrancada de sua raiz, vivemos órfãos de Ti. Estamos nas ruas quase como amostra grátis, nas prateleiras como oferta, nossa história e cultura nos livros e museus para estudo, pesquisa ou simples curiosidade: nas leis como um disfarce de proteção.
Benditos irmãos "civilizados" que compartilham conosco o exílio na nossa própria terra.
Espírito de Luz,Sabedoria, Criação, nosso canto é o choro, nossa voz é o silêncio, nossa dança é a fuga, nossa esperança é retornar ao Coração Vivo e aconchegante da Grande Mãe " a terra dos sem males" e sermos todos embalados e amados como filhos do mesmo Pai e da mesma Mãe.
Holocausto
Pensando ser um mendigo.
Será que o ser humano
Foi reduzido a mero lixo?
Queimaram o índio:
Hediondo sacrifício
Acaso a violência
Eliminou a consciência?
Queimaram o índio:
Liberdade sem ética.
Onde enterraram a mística?
A sensibilidade, a poética?
Queimaram o índio,
Queimaram o Brasil.
Queimaram o índio,
Queimaram o Divino
REFLEXÃO:
- ""Ó GRANDE ESPÍRITO, Pai e mãe da cadeia da Vida" Com quem o índio está falando?
- Como os indígenas têm sido afetados pelo homem branco?
- Cite algumas características dos povos indígenas.
- Como a terra é usada pelo homem branco?
- Como o índio trata seus animais?
- Como o índio ama sua terra
- Quem são os "irmãos civilizados" que compartilham o exílio na própria terra?
- CNo último parágrafo: "nosso canto é o choro, nossa voz é o silêncio, nossa dança é a fugz, nossa esperança é retornar ao Coração Vivo e aconchegante da Grande Mãe, "a terra dos sem males..." , o que o índio quiz dizer com essas afirmações?
- A que fato o poema Holocausto se refere?
sábado, 20 de março de 2010
O PAPEL DO PROFESSOR DE GEOGRAFIA NA FORMAÇÃO DE PESSOAS
Marisa Terezinha Rosa Valladares (*) texto publicado em Profiss?o Mestre – Ano 6 Nº 86 – 24/09/2008
"Não pretendo fazer uma falação calcada em otimismo demagógico, nem discutir as conhecidas dificuldades que entremeiam o nosso caminho. Gostaria mais de falar de eixos norteadores de minha tentativa pessoal de contribuir na construção de uma sociedade justa e solidária: são eles a responsabilidade, o compromisso, a esperança e o amor. São palavras um tanto quanto desgastadas pelo seu uso constante em discursos de toda a espécie. Todavia, têm para mim um significado muito além desta dimensão: são verdadeiramente os pontos cardeais que utilizo para não me deixar prender pelos nós do mau uso delas.
A responsabilidade é aquela premissa de estar sempre buscando a coerência entre a teoria e prática, entre o dito e o feito, entre o querer e o fazer. É ela que me faz ser meiga e dócil no trato com alunos e colegas, por entender que as relações de aprendizagem e de trabalho precisam ser prazeirosas e gentis para serem frutíferas. É ela também que me faz vencer uma enorme timidez para expor as coisas em que acredito. É dela que retiro forças para vencer a temeridade de calar, quando seria fácil – e até cômodo – ficar quietinha no canto. Ela me faz falar e brigar, como se nem fosse eu mesma... Também me faz vencer o cansaço, em noites que me debruço sobre livros. Com ela transformo, não sei por que magia, as 24 horas do dia em muitas, muitas mais que eu possa entender ou explicar! A responsabilidade de me fazer exemplo para alunos conseguiu alterar a calma e mansa forma de olhar o mundo, que me legou a minha educação familiar para uma forma mais ativa e crítica de analisar o que me rodeia. Por causa dela, perdi um pouco da ingenuidade no julgamento dos fatos e me percebi aprendendo a espiar o que há por trás deles.
E aí ela se acorrentou ao compromisso: o que antes era certo porque diziam ser certo, passou a ser a fonte do querer descobrir. O que se declarava ser sacerdócio, abnegação, transformou-se em luta, em engajamento não mais solitário, mas essencialmente coletivo. O compromisso não é um ato individual, é uma postura social e política. Ele exige uma expansão que extrapola nossa dimensão, porque quer mais e só sobrevive se nos dispusermos a fazer crer no que cremos, mais e mais pessoas. Está diretamente ligado à competência profissional e pessoal de crescer, de aprender mais, de lutar mais para transformar em melhor aquilo que fazemos e vivenciamos.
Mas não me basta só isto. Para poder levar avante o compromisso com responsabilidade, não abro mão de cultivar a esperança. Não aquela esperança frouxa de que vai acontecer, mas a esperança como aquela de quem sabe faz a hora e não espera acontecer. Partilho da mesma esperança de Paulo Freire em sua Pedagogia. É uma esperança que se constrói, na certeza de que é possível. Ela me sustenta na superação de dificuldades e me impulsiona rumo ao futuro. Ela me emociona com pequenas vitórias e não me deixa desiludir nos fracassos. Com a esperança, me resgato dos cinqüenta e sete anos vividos e me torna mais disposta a perseverar. Ela me dá a coragem de arrancar de cada tropeço, um impulso para a frente e não para o chão.
E aí, vem o amor. Não é um amor piegas, nem um amor de mão única. É um amor que me dá asas à imaginação e me faz ver o mundo sempre colorido, mesmo quando o dia é cinzento e chuvoso. É a base do meu dia-a-dia, é unificador de minhas convicções e o meu próprio perdão aos meus desacertos. É o meu elo com todos os outros, superando desafetos, diferenças, incompreensões...
Com estes parâmetros construí minha práxis pedagógica. Retirei deles a convicção de que a Geografia seria o meu caminho para fazer Educação. Através deles vislumbro uma Geografia que não é só localizar e nem apenas explicar fatos ou fenômenos geográficos, mas é concretizar uma ação transformadora da/na sociedade. Não acredito numa Geografia fria de conceitos bem ou mal formulados. Acredito numa Geografia que canta ou murmura em rios que se salvam de ações de uma sociedade imediatista e sem um planejamento sério e compromissado com o amanhã; vibra e vive com mulheres e homens de qualquer classe, raça, crença, sexo, nacionalidade ou convicção política; ri e chora com companheiros vivos ou inertes deste Planeta Azul. Creio numa Geografia que se faz com crianças, jovens e adultos, sem aquela decoreba sem graça que não conduz a nada, sem aquele desfiar inútil de números estatísticos e de nomes sem nenhum significado, porque sãodescontextualizados.
Acredito que a Geografia permite fazer a leitura do mundo muito além do simples ato de codificar ou decodificar símbolos alfabéticos: ela nos permite ler na observação dos astros do Universo que nos rodeia, nas montanhas que se elevam ou nos mares que se prolongam até ao horizonte, nos vales ensombrecidos, nas florestas decapitadas pelos homens, no trigo que brota, na fábrica que apita e solta fumaça no ar, nos homens de ombros caídos e na fala dos seus dirigentes ... Ela não só nos conta as coisas, mas nos permite pensar, ao analisá-las, em como mudá-las, uma vez que estamos todos nelas inseridos.
Para fazer esta GEOgrafia, acredito numa metodologia de prazer que inclua leituras, pelo simples prazer de ler e buscar saber como outros constroem seu conhecimento, verificando as diferentes "verdades" que cada autor produz. Proponho uma Geografia que se aproprie do prazer de jogos inocentes que possibilitam testar convicções sem disparar o terror das perguntas, nas quais não cabem certezas para errar, nem erros para acertar, apenas tentativas para medir conhecimento com zero ou dez, certo ou errado. Quero uma Geografia que use a música, a história em quadrinhos, o filme, a poesia, a dramatização, a observação e o diálogo. Gosto de textos em que o autor conversa comigo e não daqueles que falam com a própria ciência. Prefiro rir com o professor que me mostra o mundo como gente o u me provoca ao mostrar o homem como lobo do próprio homem. Não quero fazer Geografia insossa de aspectos físicos, humanos e econômicos, como se o homem não fizesse parte da natureza e o econômico não fosse produzido pelo humano. Quero a Geografia una, inteira, aquela que me conta como a Terra é um organismo vivo - Gaia - que precisamos cuidar para as futuras gerações, nossos netos, bisnetos, tataranetos e seus descendentes...
Penso que o papel do professor de Geografia na formação de uma sociedade crítica não precisa ser de um cavaleiro do Apocalipse, duro e cruel. Não vejo a necessidade de amargura ou de pseudo-seriedade sem alegria e prazer. A crítica não se faz com critiquice, mas com a capacidade de análise e de reinvenção do que precisa mudar. Se não for assim, de que me vale o futuro? Se não creio na mudança para o melhor, talvez devesse me calar e não ser professora. De que vale um mestre que não crê que a aprendizagem é um ato de amor e não tem limites? Que compromisso há em discutir o que não se acredita que pode mudar? Para que aprender? Para sofrer ou para viver? Prefiro não fechar os olhos para a realidade, mas fitá-la com toda a intensidade, para perc eber onde está seu brilho e fazê-lo incindir sobre suas sombras...Quem sabe assim, a Geografia possa justificar melhor sua existência como ciência e como parte dos estudos escolares."
Geografia: a mais importante de todas as matérias da escola?
Aí está uma idéia que pode parecer estranha diante do que a maioria de nós está acostumada a pensar: a Geografia é, poderia ser ou, melhor, deveria ser a mais importante de todas as disciplinas escolares.
Essa é uma noção atípica pois, infelizmente, o ensino da Geografia na escola ainda é associado a duas idéias principais:
- Ela é uma disciplina que leva ao extremo o recurso à "decoreba". Nós fomos educados assim e, apesar de todas as mudanças, ainda podemos dizer que, para tirar boas notas em Geografia, em pleno século XXI, o mais importante continua sendo ter uma boa memória.
- A Geografia é uma matéria que quase nunca reprova e é mais fácil e menos decisiva do que Matemática ou Língua Portuguesa. A aula de Geografia é um bom momento para fazer um pouco mais de bagunça, até mesmo porque, em geral, professores de Geografia são "mais bonzinhos"...
Neste artigo, gostaria de tentar mudar um pouco a visão de quem pensa assim e dividir algumas idéias que fazem com que nós, geógrafos, tenhamos grande orgulho e prazer com nossa profissão (embora ninguém, ao que parece, esteja ficando muito rico).
Enfim, a visão da "decoreba" e da matéria menos séria é triste, porque a Geografia não é nada disso: ela é uma ciência que integra contribuições de todas os campos do saber e que deve ter uma função central na necessária renovação do ensino.
Por que isso acontece? Em primeiro lugar, porque é a Geografia que garante um espaço específico para o tratamento das questões sociais e ecológicas dentro das escolas, permitindo que os problemas do mundo sejam discutidos nas salas de aula.
Quando os meios de comunicação mostram incessantemente imagens de terroristas agindo nos mais recônditos cantos do planeta, é possível que a escola ignore isso? E quando o clima do planeta dá sinais de alterações perturbadoras, talvez por influência da atividade industrial humana, é aceitável deixar de discutir isso? É claro que não, a não ser que a escola desista de ter entre os seus objetivos o de ajudar a entender o mundo.
É por isso que um amigo geógrafo sempre diz que "um bom professor de Geografia vai para a sala de aula com um jornal e um globo terrestre". Claro, pois tudo o que está acontecendo de importante no mundo pode servir como ponto de partida para o trabalho do professor de Geografia.
E no que deve consistir esse trabalho? Basicamente em mobilizar a curiosidade e as idéias que os alunos já têm sobre os temas debatidos e, com base nisso, conduzir atividades em que vamos localizar, mapear, comparar e analisar criticamente os fenômenos discutidos. É exatamente por isso que há muitas décadas já se afirma que, na escola, a Geografia é fundamental para levar alunos e alunas além da visão superficial e sensacionalista das manchetes dos jornais e da TV.
Então, a Geografia é importante porque, mesmo na escola mais tradicional, abre espaço para que os problemas reais do mundo sejam discutidos e aprofundados. Esse processo revela um outro aspecto importante dessa disciplina: ela pode englobar abordagens de várias outras matérias. Um bom trabalho provoca a necessidade de pesquisar e discutir questões históricas e científicas, produzir textos de síntese, levantar dados numéricos e usar a matemática em um sem-fim de tipos de análises. Ou seja, em um trabalho sério de Geografia, todas as disciplinas devem dar sua contribuição; todas as matérias podem "estar contidas" nela. A Geografia, veja só que chique, é multi e interdisciplinar!
Aliás, não são apenas os geógrafos que afirmam isso. Um dos grandes pensadores da complexidade, da renovação da ciência e de seus paradigmas é o francês Edgar Morin, que reconhece que "o desenvolvimento das ciências da Terra e da Ecologia revitalizam a Geografia, ciência complexa por princípio, uma vez que abrange a física terrestre, a biosfera e as implantações humanas" [i] . Ou seja, uma Geografia que não seja multidisciplinar não merece esse nome.
Com todo esse potencial, dói ver que a Geografia escolar é muitas vezes associada a coisas como decorar o nome de rios e de capitais...
Talvez eu já tenha conseguido provocar alguma perturbação em sua concepção da Geografia e do papel dela na escola. Para concluir, afirmo (juntamente com muitos geógrafos) que a Geografia deve ser, cada vez mais, explorada como a mais importante das disciplinas, para atingirmos dois objetivos em nossas escolas. Esses objetivos podem parecer contraditórios, mas, na verdade, são profundamente complementares:
- Pelo conhecimento do espaço local e pela comparação dele com outros lugares, ajudar cada um(a) a compreender melhor sua inserção territorial e cultural, o que contribui para a construção de uma identidade pessoal e comunitária mais rica. Conhecer cada vez mais e melhor seu lugar, sua cultura e as pessoas que vivem nos mesmos espaços que nós.
- Pelo tratamento global dos problemas, pela busca de características comuns, pela análise da distribuição e da evolução espacial dos fenômenos e pelo uso constante do globo e de mapas, levar os(as) estudantes a conhecerem cada vez melhor o planeta em que vivemos. É a Geografia que possui a mais nobre das missões na escola do século XXI: preparar nossas crianças e adolescentes para a superação dos patriotismos e regionalismos estreitos, e formar para o respeito às diferenças e para o que nós chamamos de "cidadania planetária".
O francês Paul Claval, um grande geógrafo, encerra um de seus livros afirmando que "concebida dessa maneira, a Geografia prepara os homens para serem cidadãos do mundo. É nisso que acredito sinceramente" [ii] . Eu também!
Afinal de contas, o mundo é mesmo quase uma bola, estamos todos no mesmo barco redondo com sua atmosfera fantástica, o que acontece aqui sempre tem implicações acolá, e não podemos mais nos dar ao luxo de educar nossas crianças como se isso não fosse uma verdade fundamental. Precisamos da Geografia para nos conhecermos, para conhecermos nosso mundo respeitando sua diversidade e complexidade e para construirmos a cidadania planetária. Decore isso...
[i] Edgar Morin. "A cabeça bem-feita". São Paulo, Editora Cortez, 2003. Página 28. Sublinhado por nós.
[ii] Paul Claval. "La géographie comme genre de vie". Paris, L’Harmattan, 1996. Página 136.


